Cícero, denunciando Catilina no Senado

Cícero, denunciando Catilina no Senado

27 setembro, 2007

A dignididade

Ainda sendo adepto indefectível do grandioso FC Porto, houve ontem um acontecimento que considero ultrapassar largamente a relevância da eliminação daquele aos pés do modesto Fátima. O Sr. Santana Lopes, pessoa por quem não nutro particular estima política, deu à Pátria um exemplo claro de como deve reagir uma pessoa de bem e séria quando confrontada com a estupidez militante dos média, dos fazedores de opinião e tutti quanti. Muito elegante mas firmemente mandou-os à merda, substância à qual a presença dos seres em causa inflige alguma degradação qualitativa mas que ainda assim julgo adequada a recebê-los.
O país continua afanosa e quotidianamente a cavar abismos insondáveis de cretinice em que se afunde e uma das razões porque já não há profundímetro que meça tais buracos é a de a larguíssima maioria das vozes com amplificador mediático se sujeitarem ao domínio dos critérios de idiotia que vão preponderando - sendo de resto as usuais autoras dos ditos critérios. Mais até do que assinalar a grande maioria, há muito que estava convencido de que a pelintrice intelectual era a marca de água da totalidade desses vociferantes. Agradeço ao Sr. Santana Lopes ter-me provado que não são todos da mesma massa.
Não posso, além disso, deixar de tecer mais umas considerações. O Sr. Santana Lopes não afecta pose de pessoa sisuda que não dá troco à bola. Pelo contrário, já andou longamente nisso dos futebóis, sendo presidente do Sporting e até comentador televisivo das ocorrências do relvado. Nunca precisou de afectar superioridade em relação a essas coisas para vincar seriedade. Outros há que, de contínuo, com ponderação ou não, cacarejam histericamente contra a bola e, muito em especial e aí com razão inteira, denunciam, incomodados, as aberturas de telejornais com os jogadores e os treinadores e os pénaltis durante meias horas e mais. Porém, na hora da verdade, saloios, pelam-se por continuar a vender os seus fétidos peixes opinativos nas mesmíssimas pantalhas da estupidez. Aprendam com o exemplo, se forem capazes, e logo verão como se obtêm num ápice resultados muito maiores do que chilreando do modo costumeiro.
Quanto ao Sr. Santana Lopes, de novo e enfim, cometeu um acto de higiene que pela minha parte, sem grande esperança, gostaria que fosse seminal. Subiu na minha consideração de um modo que não consigo descrever - ao pé dele, a militância verbal anti-bola do Sr. Pacheco Pereira, só para exemplificar com a mais conspícua, revela em toda a clareza não passar de mera snobeira inconsequente.

5 comentários:

falarclaro disse...

Para quem não viu, convém explicar q o Sr. Lopes, tendo sido convidado pela sic para uma entrevista, viu a mesma ser interrompida para a entrad em cena no aeroporto da POrtela, em directo, do nosso mais famoso emigrante - Mourinho.
Esteve muito bem o homem quando decidiu q assim não brincava mais.

tortor disse...

Subscrevo na íntegra, compadre. Só apanhei o fim da coisa, mas que foi lindo, lá isso foi. A história tem destas coisas. Um homem que como 1.º ministro foi mandado às urtigas pelo malfadado Sr. Sampaio, essa cenoura falante, com base em razões e impugnações sortidas, mas sempre obscuras, vagas e difusas, mostrou agora ter mais deles no sítio de que a maior parte dos que naquela altura, vendo-o vulnerável, lhe puseram o pé em cima em pose de caçador exibindo a grande presa. O rato é, no fim de contas, um homem e muitos daqueles supostos homens são ratos.

SB disse...

o Lopes é um prodígio da vida política portuguesa. Só mesmo um energúmeno como ele consegue tirar esta cartinha do bolso e depois de um longo interregno voltar a pedir o colo aos portugueses. mais um bocadinho e tinha bolsado a seguir a um pequeno arroto só para apelar ainda mais à peninha.
mais facilmente votava no mourinho a presidente...

Anónimo disse...

Mestre, não sei porquê, a expressão "pessoa de bem" provoca-me urticária.

caramelo

Zé Dias da Silva disse...

Deixaram de escrever?